Leitura Comentada

Cruzeiro do Sul

Galciani Neves

12/05 . sexta . 14h às 15h30

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Cruzeiro do Sul é o nome da menor constelação visível por seres humanos de que se tem registro. Suas 5 estrelas só podem ser vistas no Hemisfério Sul. Um dos mais importantes trabalhos da recente história da arte brasileira leva o nome dessa pequena constelação – um cubo de 9 mm³, feito de pinho e carvalho por Cildo Meireles e dedicado ao povo Tupi, para quem essas espécies de árvores são consideradas divindades sagradas. O trabalho foi exposto em 1970 na mostra “Information”, no MoMA, em Nova York. Nessa ocasião, Cildo escreveu um texto para o catálogo da mostra, no qual organizou sua estruturação poética e política, criticou as peripécias conceituais do sistema da arte e ainda desenhou a paisagem invisibilizada e marginalizada de “Abya Yala”, na língua do povo Kuna: ”Terra madura”, “Terra Viva” ou “Terra em florescimento” – expressão que vem sendo usada pelos povos originários do continente como sinônimo de “América”. Tanto tempo depois de sua primeira publicação, o seminal texto de Cildo segue apontando questões atuais e nos questionando: onde pisamos, onde estamos, com que terra nos relacionamos quando produzimos arte?

Nota: O texto para leitura prévia será enviado aos participantes por e-mail.

Público-alvo: As discussões suscitadas por esse texto podem interessar a profissionais da arte e da cultura que desejam pensar a respeito de seu terreno de ação, acerca de uma ecologia decolonial e sobre a produção artística que se desenvolve a partir de relações com o lugar.

“É possível ensinar arte?"
Leitura de uma carta pública de Gustave Courbet, 1861

Daniel Jablonski

26/05 . sexta . 16h às 17h30

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O encontro tem por objetivo a leitura comentada de “É possível ensinar arte?”, um artigo assinado pelo pintor francês Gustave Courbet e publicado no jornal ”Courrier du Dimanche”, em 29 de dezembro de 1861. Aliando uma verve política radical, próxima à corrente do Anarquismo, a um virtuosismo técnico inegável, que lhe valem comparações com Diego Velázquez, Courbet é visto por seus contemporâneos como o único artista a poder mostrar o caminho que a arte deve seguir em meados do século XIX. Respondendo a tais expectativas, ele aceita abrir seu ateliê a jovens estudantes de arte, descontentes com o ensino na Academia de Belas Artes. Tal experiência, contudo, não durará mais que quatro meses e terminará com a deserção em massa dos alunos e a expulsão do próprio artista do imóvel por danos materiais. Transcendendo a dimensão das numerosas críticas recebidas, Courbet formula nessa carta aberta uma síntese de sua doutrina “realista” na pintura, bem como de sua visão libertária do ensino, ou melhor, do aprendizado na arte: “Posto que nego o ensino da arte [...], não posso senão explicar a artistas, que seriam meus colaboradores e não meus alunos, o método pelo qual, ao meu ver, alguém se torna pintor, e pelo qual eu mesmo tentei tornar-me um desde o início". Ao final do encontro, também será feita a leitura da transcrição da breve intervenção de Courbet no Congresso [Artístico] de Anvers, publicado em ”Le Précurseur d’Anvers”, em 22 de agosto de 1861.

Público-alvo: O encontro foi pensado para contemplar qualquer pessoa interessada em se aprofundar na reflexão sobre a arte e seus mecanismos de transmissão, sem necessidade de qualquer conhecimento prévio.